Candidato da UFRGS tenta passar no vestibular para economia pela 4ª vez: 'Não vou desistir'


Wagner Klein, de Canoas, é um dos cerca de 28 mil inscritos para o concurso deste ano. Neste domingo (6), estudantes fazem provas de física, literatura e língua estrangeira em Porto Alegre, Imbé, Tramandaí e Bento Gonçalves. Wagner quer cursar economia na UFRGS Josmar Leite/RBS TV Morador de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, Wagner Klein está decidido sobre a carreira que quer seguir. Candidato a uma vaga para o curso de economia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), neste domingo (6) ele presta pela quarta vez o concurso. Ele confia nos estudos para, desta vez, conseguir o objetivo de entrar na federal. "Sei mais do que sabia no ano passado, então já é suficiente. Não vou desistir. Se não conseguir agora, ano que vem estou aqui de novo", afirma. Neste ano, mais de 28,5 mil candidatos inscritos disputam 4.017 vagas distribuídas em 90 cursos de graduação gratuitos. Para este concurso, Wagner estudou em um cursinho próprio da universidade, o que o deixa mais confiante. Antes, estudava por conta, em casa. "Foi uma preparação boa", conta. O jovem divide o trabalho com os estudos. Ele lamenta que a oportunidade de estudar em uma universidade gratuita não seja para todos. "É lamentável que só alguns tenham essa oportunidade. Tem que se esforçar para ter a recompensa", diz. Fazer um curso superior em uma universidade particular, para ele, "é muito difícil". Candidatos chegam ao Colégio Júlio de Castilhos para as provas do vestibular da UFRGS, em Porto Alegre Josmar Leite/RBS TV Candidatos viajam de longe Valéria Luiza Winck viajou cerca de seis horas para fazer o vestibular da UFRGS. Ela mora com os pais em Três Passos, que tem pouco mais de 470 km de distância de Porto Alegre. Acompanhada da mãe, ela ainda não faz as provas para valer. É treineira, ou seja, ainda cursa o ensino médio e aproveita para se preparar. "Ano que vem vai ser valendo", diz a jovem, que ainda não decidiu se quer cursar engenharia química ou farmácia. Valéria viajou de Três Passos acompanhada da mãe para fazer as provas da UFRGS Josmar Leite/RBS TV Ela e a mãe chegaram à capital gaúcha no sábado (5). "Para ficar tranquilo e não correr o risco de acontecer nada de errado", salienta Valéria. Ela conta que focou na revisão de conteúdos. "É ficar tranquila, manter a calma (...) Minha irmã se formou esse ano, é uma grande inspiração minha, e a UFRGS é uma das melhores universidades do Brasil", resume. A irmã de Valéria passou a morar em Porto Alegre para estudar na universidade. Agora, a mãe já se prepara para ver a outra filha realizar o sonho. "Elas têm que sair de casa, criar a liberdade e buscar o sonho delas", diz Marilise Winck. Após uma viagem um pouco menos desgastante, a jovem Lara Gorreis Weigel, também acompanhada da mãe, saiu de Santa Cruz do Sul no dia anterior para fazer as provas. São pouco menos de três horas de estrada. Assim como Valéria ela é treineira. Lara mora em Santa Cruz do Sul e treina para entrar na UFRGS Josmar Leite/RBS TV "Acho que fica mais preparado até na questão psicológica, já conhece a prova, não chega e se depara com coisas que nunca viu", diz ela, sobre a oportunidade de poder treinar antes de se inscrever oficialmente. "Já fiz cursinho de redação por dois anos, e é mais para ver como vai ser", completa. A UFRGS, para ela, "é uma meta". E Lara quer o curso mais concorrido da universidade: medicina. "A gente sabe que medicina é fora do orçamento, então passar na federal é uma das únicas opções", diz. "Vou anotar minhas dúvidas e tentar ver algumas coisas com professores." A mãe, Rejane Fátima Gorreis, confessa que gostaria que a filha cursasse direito. Mas apoia a escolha. "Então vamos lá nos desafios que vêm! É um investimento pensando neles, a gente foca nisso", diz. "Hoje, graças a Deus essa geração está tendo muito acesso. Mas claro que nós, pais, temos que fazer nossa parte de motivá-los e dar estrutura. E não é barato, realmente. Essa questão da federal lá em casa é uma realidade", acrescenta Rejane. Felipe quer fazer arquitetura na UFGRS Josmar Leite/RBS TV Na segunda tentativa de entrar na UFRGS, Felipe dos Santos Cardoso saiu de Encruzilhada do Sul às 4h e chegou a Porto Alegre por volta das 6h. "Tive que pegar dois ônibus, foi difícil", conta. O candidato quer cursar arquitetura. Depois de bastante estudo, ele diz que precisa passar. "Não dá para investir de novo em um cursinho." Felipe não quer perder a chance de, além de entrar em uma universidade gratuita, fazer parte de um grupo de estudantes que se forma em uma das melhores instituições de ensino superior do país. "É referência, é a melhor oportunidade que posso ter no estudo." "Eu tenho mais confiança em física, então começo por física, depois vou para literatura e deixou por último o espanhol [opção dele para língua estrangeira]", diz ele, sobre a estratégia para fazer as provas deste domingo. Maratona diferente Lara Deon é de Porto Alegre, mas enfrentou uma maratona diferente para o vestibular. Ela quer fazer teatro na UFRGS. O concurso, no caso dela, começou bem mais cedo. "A prova específica é em novembro, tem três etapas, e esse ano eles mudaram ela. Foi bem legal, bem dinâmica", diz. "Foi um pouco desgastante, tive que estudar bastante, mas me sinto preparada", acrescenta. Nesses momentos de nervosismo, a jovem conta que usa a arte para se acalmar. "Me ajuda, tanto que o curso que eu vou fazer tem a ver com isso. Sempre tento canalizar meus sentimentos para a arte, e sempre dá certo. Escrevo, às vezes desenho, gosto de ler, decorar monólogos." Dara tenta pela segunda vez entrar na UFRGS. Antes, ela ainda fez um concurso como treineira. "Tive que estudar bastante, mas me sinto preparada. Estou confiante agora." Dara tenta pela segunda vez fazer teatro na UFRGS Josmar Leite/RBS TV Vestibular da UFRGS Neste domingo, os inscritos realizam os testes de física, literatura em língua portuguesa e língua estrangeira moderna. Na segunda-feira (7), será a vez de demonstrarem os conhecimentos em língua portuguesa e redação. Na terça-feira (8), fazem as provas de biologia, química e geografia e, na quarta-feira (9), os últimos testes são os de história e de matemática. As provas começam às 8h30, simultaneamente, em Porto Alegre, Imbé, Tramandaí e Bento Gonçalves. Os candidatos devem levar consigo documento de identidade e caneta esferográfica azul ou preta, durante os quatro dias de vestibular. Para evitar atrasos, a universidade orienta que os inscritos compareçam aos locais de prova às 8h. Os candidatos terão 4h30 para fazer os testes. De acordo com a Comissão Permanente de Seleção (COPERSE) da universidade, os vestibulandos somente poderão sair das salas depois de duas horas do início da prova. O curso mais procurado segue sendo o de medicina, mas estará menos concorrido do que em 2018. São 76,4 candidatos por vaga, contra 83,81 na última edição. No ranking dos cursos que mais despertaram interesse, aparece o de psicologia em segundo lugar (25,33 candidatos por vaga – diurno – e 24,48 – noturno), seguido por fisioterapia (21,1) e medicina veterinária (16,6). Os gabaritos serão divulgados a partir das 17h de cada dia de prova, no site da UFRGS.